quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Capitulo 1 - Você estava dormindo

Ela está sentada no alto de um morro contemplando as ruínas de uma grande cidade. Todos seus sonhos, desejos e ambições não exitem mais. Pois sua civilização acabou, não há nada, seu ouro não tem valor, suas escrituras se perderão.

Só ficou Auia.

Na ultima sexta-feira de novembro caia uma chuva fina sobre o bairro de Botafogo, havia sinal que uma chuva bem mais forte se aproximava, a praia sob o céu cinza, os passos apressados impressionam uma ilustre visitante, que sem se importar com a chuva ou com o frio, fica em pé na areia da praia de Botafogo olhando os prédios. Porém uma janela de um prédio é o foco de sua atenção.

André está cansado o trabalho hoje foi particularmente estressante. Em seus quarenta anos de idade completos há dois dias com uma singela comemoração de bar com dois amigos, Samuel o judeu protestante e Henrique o intelectual de churrasco e professor de história nas horas vagas.

André ri sozinho na sala quando lembra dos diálogos que teve com os amigos:

_ Então quarenta anos vai casar de novo?
_ Tive dois casamentos e duas facadas nas costas quero terminar minha vida sem surpresas.
_ Mas como bom brasileiro você deve casar mais uma vez.
_ Por que?
_ Você já casou com uma branca e com uma negra, falta agora se casar com uma índia.

Baixando a cabeça André resmunga com um sorriso:

_ Por que eu fui perguntar?


Saindo do prédio André procura andar rápido está sem guarda-chuva e a garagem fica no outro quarteirão. Ao atravessar a rua vê uma menina de pele parda e cabelos avermelhados o fitando, mas não dá muita atenção e continua a andar. Porém dá um pulo de susto um carro que avança o sinal velozmente e bate em uma árvore do outro lado da avenida.

Bem feito pensa André, e continua seus passos em direção da garagem, enquanto outros para ver o acidente e os policiais correndo em direção ao carro acidentado. Seu carro estava molhado pela chuva, ele sai tranquilamente com ele, mas pela janela vê a menina de cabelos avermelhados o observando, de alguma forma seu olhar o incomoda.

No trajeto para sua casa na rua dos Oitis na Gávea ele enfrenta um grande engarrafamento. Demora uma hora além do tempo normal para chegar em casa. Ao chegar finalmente em casa encontra seu filho na sala aos beijos no sofá com Haneda, uma moça oriental que estranhamente seu filho a chama pelo sobrenome, vendo a cena ele avança para cozinha tentando não chamar atenção.

_ Sexta-feira... Tomara que não fique com dor de cotovelo por causa do meu próprio filho. - Diz André antes de beber um copo d'agua e que ao terminar vai a direção ao seu quarto.

Espera terminar de ler "O corti¿o" de Aluísio de azevedo, ainda hoje. Isso faz parte de uma decisão que tomou de ler todos os clássicos da literatura brasileira em um ano, pois nuca lera nenhum quando jovem.

Mas como fez faculdade na Alemanha e gostava de aventuras na juventude nunca se importou com literatura decidiu então compensar isso ao completar quarenta anos.

O mundo era mais emocionante e fazia mais sentido quando havia o muro de Berlim, pensa enquanto senta-se na poltrona para enfim ler seu primeiro livro dos clássicos da literatura brasileira, seus tempos de aventura em Berlim oriental com Helga que deu origem a seu filho e a um casamento de sete anos. Helga agora trabalha como funcionária pública em Berlin já unificada. Sua segunda esposa de um casamento de cinco anos mora com sua filha em Belo Horizonte, a menina de vez em quando o telefona. Para dizer como vão as coisas e de Ricardo seu padastro. Causa um certo riso inconsciente: com tantos homens por que logo um chamado Ricardo?

André começa logo a ler o livro antes que comece a ser nostálgico. A chuva se intensifica e o barulho dela vira música de fundo do livro.

Duas horas da manhã André acorda, acabou dormindo na poltrona, sai do quarto e desce para a cozinha comer alguma coisa, ao passar pelo quarto de seu filho ouve um ronco sinal de que as coisa já esfriaram.

Ao chegar na cozinha ele se deparar com uma menina estranha sentada na mesa da cozinha.

_ Como entrou aqui?
_ Eu sou Auia.
_ Não me importa quem seja como entrou na minha casa.
_ Por isso mesmo; eu sou Auia, que parte não entendeu?

André lembra de ter visto esta menina na rua, aparenta ter uns dez anos com pele parda e cabelos longos avermelhados. Mas talvez ela faça parte de um grupo de assaltantes que agora está invadindo sua casa, automaticamente ele vira-se e corre para o telefone. Mas tudo fica escuro e ele tem uma última sensação de que caiu no chão.

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