Os raios do Sol batendo em seu rosto ao lado de um leve vento que entra por uma janela sem vidro o fazem desperta de um sono bem dormido, ele se sente bem até perceber que não está em sua casa. Estava dormindo sobre um tapete costurado de pequenas almofadas cada uma delas com um desenho de um animal. O quarto de paredes brancas de tinta gasta, a janela é apenas um buraco circular na parede para o lado de fora. André tenta se localizar e vai até a janela, o que vê é um extenso gramado que se junta ao céu azul no horizonte, sem nenhuma montanha e sem nenhuma árvore. A paisagem parece terrivelmente artificial e ao mesmo tempo real demais.
O pavor passa a tomar conta de seu ser, até ele ver uma porta que o faz sair correndo por ela, segue um curto corredor até uma escada que o leva ao andar térreo da casa, onde ele se depara com a menina que havia encontrado na sua cozinha.
- Acordou bem? Espero que se sinta bem acomodado, faz muitas voltas de Sol que não uso esta casa, embora tenha cuidado constantemente do jardim de grama...
- Quem é você ?!
- Eu sou Auia, já disse isto antes.
- Onde estou?
- Você está em minhas terras. Eu sou a senhora das terras do sul e deusa dos ventos... Assim me chamam.
- Merda, eu não estou para brincadeiras...
Auia fica um pouco surpresa com o tom ameaçador de André, mas nem um pouco intimidada, ela levanta-se de seu sofá ricamente decorado e caminha até ele.
_ Gente como você já se ajoelhou diante de mim antes, acho que você deve saber logo quem eu sou e onde está, para que possamos continuar o processo. Sente-se nesta poltrona.
Sem mesmo o que fazer André obedece, enquanto Auia volta para seu sofá e começa a falar:
- Você esta nas terras que pertenceram ao seu povo há muito tempo atrás, as terras do sul, você está num dia bem distante do seu, muitas voltas de Sol depois do dia que te peguei.
Percebendo que as coisas não parecem ser realmente dentro da realidade, André e querendo entender onde realmente está e como chegou ele pergunta tentando parecer mais calmo:
- E isso é quanto tempo?
- Quando visitei sua gente eles tinham este conceito, mas não sei definir tempo, só sei que para te achar voltei no tempo contando as batidas de meu coração, que foram duas mil setecentos e cinco viajando no espaço sem tempo. Talvez o Imperador da Lua saberá responder isso, se ele quiser falar com você.
- Você disse que me escolheu, por que?
- Naquele dia você iria morrer devido a um choque com aquela carroça ou carro de metal. Foi sorte achar alguém como você e principalmente não necessário ao seu mundo.
- Não necessário?
- Sua falta não fará nem bem e nem mal para a humanidade... Vejo que ainda tem dúvidas, então me siga!
Auia se levanta e caminha em direção a porta de saída, e André a segue até o lado de fora, quando Auia para e diz:
- Fique perto de mim.
Então ela levanta os braços e logo André sente se afastando do chão, pois agora ele está voando ao lado de Auia. Ele fica pensando se é sonho ou realidade, mas vê que tudo que se passa é real demais. O jardim de grama só vai a uma direção no que parece ser uma estreita faixa de terra, pois a maior parte da regi¿o ¿ de extensas florestas e podem-se ver montanhas no horizonte, na direção em que voam, logo ao se aproximar de montanhas a velocidade do vôo é reduzida, e os dois começam a se aproximar do chão.
Descem diante de um imenso portão de metal que fecha uma grande entrada na caverna. No portão tem uma frase escrita em latim e mais cinco idiomas "A herança de nossa civilização".
Com um gesto de Auia o imenso portão de ferro se abre. E os dois avançam para o interior da caverna, passam por um longo corredor com algumas estátuas de estilo romano, ele reconhece o busto do imperador Trajano no caminho, no fim do corredor André vê que está diante de um grande museu. Carros da década de 20, modelos contemporâneos a sua época, até chegar a uns mais futuristas. Todos são protegidos individualmente por uma grande caixa de vidro muito transparente, que em diferentes tamanhos parece se usado para proteger tudo, quadros, computadores de várias épocas. O vidro parecia repelir a poeira. E nele é fixado a inscrições sobre cada objeto. A galeria de quadros estava impecável, parece que houve um grande esforço para que tudo fosse preservado por anos, com se soubesse com bastante antecedência que uma calamidade aproximava-se. Revistas em quadrinhos, originais de vários artistas e todos os tipos de aparelhos domésticos decoravam os vários salões do museu. O passeio acaba na biblioteca, onde há livros feitos de um material estranho, provavelmente duráveis também.
André ainda querendo acordar de um pesadelo pergunta:
- O quê houve com o mundo?
- Houve fogo no céu e guerras na Terra, por todo canto barulhos do trovão, e os homens de sangue morreram, pois seu sangue havia sido envenenado. Uma a uma suas grandes cidades apagavam, um a um seus povos morriam... Isso foi me dito para mim por uma pequena como eu agora, depois ela ficou grande como você e morreu. Depois descobri que é comum homens de sangue morrerem assim.
- "Homens de sangue"?
- São homens iguais a você.
- Onde estão eles agora?
- Nas terras do Deus da água na direção do nascer do Sol depois do oceano. Mas ele só quer os homens de sangue para ele.
André movido por uma estranha curiosidade pergunta:
- Posso conhecer esses "homens de sangue"?
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
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