sábado, 17 de abril de 2010

5. O admirável mundo novo

André olha maravilhado para as telas de gigantes de LCD ou algo parecido os gráficos coloridos, e a animação da Terra girando com os novos contornos dos continentes. Onde se ver pontos vermelhos onde segundo a interpretação das legendas são centros urbanos.

André percebe que pode interagir com a tela com movimentos das mãos sobre um painel. Fazendo isso ele clica em cima de um dos pontos vermelhos e aparece as fotos desses centros urbanos, com seus prédios ruas e mercados.

A fascinação de André cresce mais quando vê que estás civilizações não tem nenhum traço com a sua, a humanidade começou do zero uma nova civilização. Totalmente original em roupas, arquitetura num estágio próximo a antiguidade clássica.

Que faz André indagar que tipo de desastre aconteceu antes para que não sobrasse nenhum vestígio da antiga civilização.

terça-feira, 13 de abril de 2010

4. Quimundacadum

- Onde se encontra agora?
- Eu não sei, mas alguém sabe onde realmente está?
- Realmente não.
- E nem eu sei onde estou.
- Ninguém pensa em seus medos.

Auia e André voam em meio a tempestade em direção a Quimundacadum, na tempestade André pode observar que a bolha de ar que os cerca fica visível. Devido a velocidade que viajam a água desenha linhas meridionais em torno da bolha. Portanto André fica imaginando o que o mantém sustentado em sua viagem.

Auia fica concentrada apenas olhando para frente, logo ultrapassam a tempestade, sem as nuvens André pode ver uma imensa floresta que se estende até o horizonte.
Durante sua estada em Sideridom André percebeu que a população do mundo atual é formada quase exclusivamente de negros ou mestiços. Na verdade o único branco que viu até o momento foi Modechai, mas é um dito "deus". Isso faz André pensar um pouco num texto que lera a muito tempo. Segundo o texto se houvesse uma guerra nuclear ou bacteriológica, os alvos seriam centros econômico e tecnológicos. Ou seja regiões ricas de países de maioria branca. Tribos africanas e de demais povos isolados seriam poupados de uma hecatombe.

Provavelmente foi isso o que ocorreu pensa André enquanto Auia aterrissa num que parece ser uma pista de aterrissagem em cima de uma montanha. Geograficamente eles estão na região central de Quimundacadum - Isso faz André desejar um atlas atualizado do mundo em que está.
_ André, siga-me
_ Certo, que lugar é este?
_ Este é o lar dos homens sem sangue.
_ Vou me lembrar de não fazer perguntas cuja a respostas serão o que não entendo.
_ Se não perguntar como vai entender?
_ Desde quando repostas nos fazem entender?

Há um grande trapézio de concreto erguido numa elevação próxima é para lá que eles caminham, ao se aproximar de uma entrada da estrutura que tem a forma circular que abre na medida que se aproximam. Dentro dessa estrutura André fica diante do que parece ser um imenso laboratório. Limpo e bem conservado apesar dos visíveis desgastes causados pelo tempo.

- Bem vindos ao laboratório central. - Diz um homem sem cabelos vestido de uma roupa colante cinza claro. André simplesmente diz: - Oi.
Auia se coloca diante de André e fala:

- Aqui você vai entender parte do processo, é bom ver e entender tudo que será visto.
Então mais homens e mulheres sem cabelos e dos mesmos colantes cinza apareceram, fazendo André perguntar:
- Quem são vocês?
- Somos os zeladores.
Auia intervém:
- Eles não são homens de sangue, são o que você chamaria de andróides.
- E o que fazem?
Um dos asteróides responde:
- Cuidamos da reconstrução da humanidade. Estamos aqui desde das trevas.
- E há quanto tempo foi isso?
- Nós não temos porque contar tempo não há mais humanos que interessam saber disto.

Os zeladores apesar da origem eram perfeitamente humanos, André percebeu que com roupas próprias do século XX poderiam andar nas ruas como pessoas comuns. Eles mantinham a Fortaleza Branca em perfeitas condições, as maquinas funcionavam bem apesar da idade, as instalações estavam limpas e todos os zeladores pareciam trabalhar continuamente, exceto os integrantes da comitiva que recebeu Auia e André.

André achando tudo fascinante não percebeu os dialogo de Auia com os Zeladores:
- Os preparativos para a viagem estão prontos?
O zelador que parece ser o responsável pela instalação responde:
- Sim Lady dos Ventos.

André começou a andar uns poucos metros em direção aos monitores com gráficos bem coloridos, onde se pode ver imagens do globo as mudanças mais marcantes ocorreram na costa do pacífico da América do Norte.

Auia conversa com os zeladores, mas André não presta atenção em suas conversas, uma vez que cada vez mais as imagens dos monitores prendem sua atenção. Nota que há sinalizações de cidades ao redor do planeta. Parece que uma nova civilização humana nasceu sem nenhuma ligação com o passado.

De tão maravilhado que André nem se perguntou da razão dos zeladores falarem em português.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Capítulo 3 - Epóca de Destruição

A viagem para a terra do Deus das águas mostrou-se rápida, André percebeu que quando Auia usava seus poderes para que ambos pudessem voar formava-se algo parecido com uma bolha de ar em volta deles, quase que imperceptível. Essa proteção permite que Auia alcance altas velocidades sem que a resistência do ar seja um incômodo aos viajantes.

Ao se aproximarem da costa André fica maravilhado com o que vê uma grande cidade de pedra cercada com altos muros. Em seu interior casas com telhados vermelhos e ruas bem arborizadas. Auia desceu um pouco distante da cidade, no meio de um pequeno bosque.

Já no solo Auia olha para André e o analisa por um instante. Depois fala:
- Iremos para a Cidade de Pedra a pé, nada pode revelar quem sou e você passará por meu pai. Eu tenho estudado homens de sangue sei como agir entre eles.
- Não vou questionar.

O caminho para cidade de pedra chamada por Auia de Sideridom é feito por uma estrada de pedra, bem parecido com os restos da via Ápia que André viu na Itália. Havia muita gente a pé indo em direção da cidade. Auia seguia ao lado de André isso lhe dava uma sensação de segurança para André. Pois no caminho havia pessoas muito estranhas, segundo Auia a cidade de Sideridom é a capital das terras a leste Quimundacadum, mas essa informação para André é o mesmo que nada, pois desconhece a atual geografia física e política do planeta.
Diante da grande entrada da cidade de Sideridom André percebe que as coisas mudaram mesmo, a começar pelas letras numa placa de ferro na entrada da cidade, são caracteres nada parecidos com que conhecia de seu tempo. São simbolos diferentes meio desenhos de circulos com pontos e quadrados.
- Devo está muito distante no futuro para que essa escrita pudesse se desenvolver assim... que idioma é este Auia?
- é o idioma que os homens de sangue começaram a falar um dia, não prestei muita atenção para isso, mas é falado por toda esta região.
- Você entende o que eles dizem?
- Sim, tive tempo de aprender quando ficava andando entre esses homens.
_ E o que isso significa?
_ Esta é a cidade de Sideridom daqui o mundo é comandado, daqui o mundo fala e daqui do mundo somos senhores.
_ Humildade não é o forte deles. Quantos moram nesta cidade?
_ Na ultima contagem eles eram duzentos mil, em toda a região de influência de Sideridom deve haver aproximadamente seis milhões de habitantes humanos.

Ciente das capacidades impressionantes de Auia André se sente seguro para explorar as ruas da cidade, há nelas diferentes tipos de pessoas, elas parecem não estranhar a presença de André e Auia, parecem estarem acostumados a receberem estrangeiros.
André vê lojas, templos e passa pelo que parece ser uma biblioteca de grande porte, como ninguém falou nada eles foram entrando.

_ Auia você pode saber se alguns desses livros são de história antiga?
Auia olha ao redor, e vai em direção a uns pergaminhos. Sob olhares atentos de uns senhores vestidos de amarelo. Então ela retira um pergaminho e o leva para André na mesa, na mesa ela o abre.

_ é a mesma escrita do portão, mas com algumas alterações o que diz aí?
_ Este livro pelo que tá escrito na parte de fora do rolo fala da época de destruição.
André olha atrás do pergaminho e realmente tem um "título" que fica visível quando o rolo fica fechado na prateleira.
Então Auia volta a ler o livro para André:

_ Houve um tempo em que os homens eram como deuses, voavam e tocavam as estrelas, havia muitos povos. Então houve a grande cisma entre os homens-deuses do mundo. Houve as guerras entre esses homens-deuses. O grande Deus do mundo então fechou os olhos.

A Terra começou a morrer, dos mares houve grande a morte de tudo que era vivo, e na terra nada mais nascia de se comer, os animais começaram a sumir, e os homens se alimentaram uns dos outros e deixaram de ser deuses, o sangue dos homens transformou-se em veneno como as águas do mundo. Os gênios do grande Deus que ainda viviam na Terra trouxeram os pequenos deuses...

Esses deuses pequenos tirariam o mal das águas, do ar, da terra, das plantas e do homem...

_ Auia, você disse que era a deusa dos ventos certo?
_ Sim, sim eu vim ao mundo para limpa o ar.
_ Você veio de onde?
_ Eu só despertei com os outros em meio ao veneno e sabendo que o mundo deveria ser limpo.
_ Quantos outros?
_ dez para a terra, sete para as águas, quatro para o ar e um para comandar.
_ Então há quatro deusas do vento?
_ Não, eu Auia sou a única deusa dos ventos, dividimos nossos títulos do ar em Deusa das Brisas, Deusa do Gelo e Deusa da Chuva.
_ O que diz mais o livro?
_ Eu nunca tinha pensado em ler isso antes, embora isso fale mais sobre mim, aqui diz ainda; "Os novos deuses chegaram tarde para os homens e seguiram reformando o mundo" e depois o livro pula para a era de Sicoderiam o reformador do mundo, quando os homens começaram a proliferar novamente sobre a Terra.
_ Voc¿ disse que há um para comandar, quem é ele?
_ Modechai Vanunu. - Responde um jovem logo atrás de André.

O jovem aparenta uns 20 anos de estatura média, está sentado agora com André e Auia numa praça no centro de Sideridom, onde André aproveita para comer uma fruta de gosto doce. E pergunta ao Modechai:
_ Então você é quem comanda os deuses? E por que o nome?
_ Sim e ao mesmo tempo não, só uso este nome, me sinto mais próximo de vocês assim.
_ Mais humano?
_ Sim, ser um deus nos deixa um pouco distantes que devemos ser, eu trabalho em silêncio pela paz, não posso me revelar aos outros humanos além de você. Por isso resolvi ser mais adulto, ser um aprendiz entre os homens de sangue.
_ Então você já foi como Auia?
_ Sim.
_ E é o superior dela?
Auia responde secamente:
_ Não.
Modechai diz então sorrindo:
_ Não tenho nenhuma autoridade sobre os vinte e um deuses sobre este mundo, apesar dos escritos dos homens dizerem o contrário. Eu sou apenas o um, talvez um dia quando o grande Deus voltar ele saiba mais sobre mim.
_ Então o que faz aqui?
_ Sou médico, andarilho e estudioso de filosofia e dos humanos, até os ajudo em algumas coisas, já envelheci e tornei-me jovem diversas vezes, é bom para ficar andar entre vocês.
André termina a fruta e pergunta:
_ Por que fui trazido até aqui?
_ Isso não é comigo.
Auia diz:
_ Resolvemos desenvolver um processo.
_ Que processo?
_ Você saberá depois de ver o que precisa ver. - Diz Auia.
Então André volta-se para Modechai:
_ Vocês podem cresce ou ficar mais velhos quando querem?
_ Sim, alguns fizeram isso para andar mais próximos dessa nova humanidade.
André olha ao redor ver as pessoas que andam pelas ruas e indaga:
_ Você é um rapaz branco, de cabelos castanhos e olhos castanhos claros em uma cidade de população predominantemente negra. Como funciona essa interação com os homens daqui?
_ Eu digo que sou estudante de das terras além de Quimundacadum e eles me deixam ficar.
_ Mas você precisaria de dinheiro...
_ Estenda sua mão com a palma para cima.
André obedece a Modechai e estende a sua mão, então Modechai coloca a palma de sua mão sobre a de André e logo a retira, para a surpresa de André ele vê em sua mão uma moeda lisa de ouro.
E Modechai fala:
_ O ouro ainda tem valor por aqui
_ Você materializa ouro?!
_ Sim, descobri a muitas eras que era capaz disso e muitas outras coisas, e logo quando os homens começaram a andar de novo sobre o mundo pude usar essas habilidades para me aproximar deles. Conheci muitos homens fantásticos, até estive em batalhas ao lado de Sicoderiam. No tempo desta humanidade de duas mil voltas ao Sol.
_ Pelo menos você entende o conceito de tempo.
_ Na verdade o tempo só é medido quando há humanidade sobre a Terra.
_ Tem razão.
Auia se levanta olha para André:
_ Temos que ir.
Então Modechai e André se levantam, fascinado com Modechai oferece a mão para comprimento que é respondido.
_ Essa formalidade nunca fiz antes, é incomum com essa humanidade. Para sua surpresa André ver mais uma moeda de ouro em sua mão e Modechai sorri e vira-se para se juntar os andantes numa avenida que se perde num horizonte de prédios e pessoas. E André segue Auia para fora da cidade.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Capitulo 2 - 2.705 batidas

Os raios do Sol batendo em seu rosto ao lado de um leve vento que entra por uma janela sem vidro o fazem desperta de um sono bem dormido, ele se sente bem até perceber que não está em sua casa. Estava dormindo sobre um tapete costurado de pequenas almofadas cada uma delas com um desenho de um animal. O quarto de paredes brancas de tinta gasta, a janela é apenas um buraco circular na parede para o lado de fora. André tenta se localizar e vai até a janela, o que vê é um extenso gramado que se junta ao céu azul no horizonte, sem nenhuma montanha e sem nenhuma árvore. A paisagem parece terrivelmente artificial e ao mesmo tempo real demais.

O pavor passa a tomar conta de seu ser, até ele ver uma porta que o faz sair correndo por ela, segue um curto corredor até uma escada que o leva ao andar térreo da casa, onde ele se depara com a menina que havia encontrado na sua cozinha.

- Acordou bem? Espero que se sinta bem acomodado, faz muitas voltas de Sol que não uso esta casa, embora tenha cuidado constantemente do jardim de grama...
- Quem é você ?!
- Eu sou Auia, já disse isto antes.
- Onde estou?
- Você está em minhas terras. Eu sou a senhora das terras do sul e deusa dos ventos... Assim me chamam.
- Merda, eu não estou para brincadeiras...

Auia fica um pouco surpresa com o tom ameaçador de André, mas nem um pouco intimidada, ela levanta-se de seu sofá ricamente decorado e caminha até ele.

_ Gente como você já se ajoelhou diante de mim antes, acho que você deve saber logo quem eu sou e onde está, para que possamos continuar o processo. Sente-se nesta poltrona.

Sem mesmo o que fazer André obedece, enquanto Auia volta para seu sofá e começa a falar:

- Você esta nas terras que pertenceram ao seu povo há muito tempo atrás, as terras do sul, você está num dia bem distante do seu, muitas voltas de Sol depois do dia que te peguei.

Percebendo que as coisas não parecem ser realmente dentro da realidade, André e querendo entender onde realmente está e como chegou ele pergunta tentando parecer mais calmo:

- E isso é quanto tempo?
- Quando visitei sua gente eles tinham este conceito, mas não sei definir tempo, só sei que para te achar voltei no tempo contando as batidas de meu coração, que foram duas mil setecentos e cinco viajando no espaço sem tempo. Talvez o Imperador da Lua saberá responder isso, se ele quiser falar com você.
- Você disse que me escolheu, por que?
- Naquele dia você iria morrer devido a um choque com aquela carroça ou carro de metal. Foi sorte achar alguém como você e principalmente não necessário ao seu mundo.
- Não necessário?
- Sua falta não fará nem bem e nem mal para a humanidade... Vejo que ainda tem dúvidas, então me siga!
Auia se levanta e caminha em direção a porta de saída, e André a segue até o lado de fora, quando Auia para e diz:

- Fique perto de mim.

Então ela levanta os braços e logo André sente se afastando do chão, pois agora ele está voando ao lado de Auia. Ele fica pensando se é sonho ou realidade, mas vê que tudo que se passa é real demais. O jardim de grama só vai a uma direção no que parece ser uma estreita faixa de terra, pois a maior parte da regi¿o ¿ de extensas florestas e podem-se ver montanhas no horizonte, na direção em que voam, logo ao se aproximar de montanhas a velocidade do vôo é reduzida, e os dois começam a se aproximar do chão.
Descem diante de um imenso portão de metal que fecha uma grande entrada na caverna. No portão tem uma frase escrita em latim e mais cinco idiomas "A herança de nossa civilização".
Com um gesto de Auia o imenso portão de ferro se abre. E os dois avançam para o interior da caverna, passam por um longo corredor com algumas estátuas de estilo romano, ele reconhece o busto do imperador Trajano no caminho, no fim do corredor André vê que está diante de um grande museu. Carros da década de 20, modelos contemporâneos a sua época, até chegar a uns mais futuristas. Todos são protegidos individualmente por uma grande caixa de vidro muito transparente, que em diferentes tamanhos parece se usado para proteger tudo, quadros, computadores de várias épocas. O vidro parecia repelir a poeira. E nele é fixado a inscrições sobre cada objeto. A galeria de quadros estava impecável, parece que houve um grande esforço para que tudo fosse preservado por anos, com se soubesse com bastante antecedência que uma calamidade aproximava-se. Revistas em quadrinhos, originais de vários artistas e todos os tipos de aparelhos domésticos decoravam os vários salões do museu. O passeio acaba na biblioteca, onde há livros feitos de um material estranho, provavelmente duráveis também.
André ainda querendo acordar de um pesadelo pergunta:

- O quê houve com o mundo?
- Houve fogo no céu e guerras na Terra, por todo canto barulhos do trovão, e os homens de sangue morreram, pois seu sangue havia sido envenenado. Uma a uma suas grandes cidades apagavam, um a um seus povos morriam... Isso foi me dito para mim por uma pequena como eu agora, depois ela ficou grande como você e morreu. Depois descobri que é comum homens de sangue morrerem assim.

- "Homens de sangue"?
- São homens iguais a você.
- Onde estão eles agora?
- Nas terras do Deus da água na direção do nascer do Sol depois do oceano. Mas ele só quer os homens de sangue para ele.

André movido por uma estranha curiosidade pergunta:
- Posso conhecer esses "homens de sangue"?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Capitulo 1 - Você estava dormindo

Ela está sentada no alto de um morro contemplando as ruínas de uma grande cidade. Todos seus sonhos, desejos e ambições não exitem mais. Pois sua civilização acabou, não há nada, seu ouro não tem valor, suas escrituras se perderão.

Só ficou Auia.

Na ultima sexta-feira de novembro caia uma chuva fina sobre o bairro de Botafogo, havia sinal que uma chuva bem mais forte se aproximava, a praia sob o céu cinza, os passos apressados impressionam uma ilustre visitante, que sem se importar com a chuva ou com o frio, fica em pé na areia da praia de Botafogo olhando os prédios. Porém uma janela de um prédio é o foco de sua atenção.

André está cansado o trabalho hoje foi particularmente estressante. Em seus quarenta anos de idade completos há dois dias com uma singela comemoração de bar com dois amigos, Samuel o judeu protestante e Henrique o intelectual de churrasco e professor de história nas horas vagas.

André ri sozinho na sala quando lembra dos diálogos que teve com os amigos:

_ Então quarenta anos vai casar de novo?
_ Tive dois casamentos e duas facadas nas costas quero terminar minha vida sem surpresas.
_ Mas como bom brasileiro você deve casar mais uma vez.
_ Por que?
_ Você já casou com uma branca e com uma negra, falta agora se casar com uma índia.

Baixando a cabeça André resmunga com um sorriso:

_ Por que eu fui perguntar?


Saindo do prédio André procura andar rápido está sem guarda-chuva e a garagem fica no outro quarteirão. Ao atravessar a rua vê uma menina de pele parda e cabelos avermelhados o fitando, mas não dá muita atenção e continua a andar. Porém dá um pulo de susto um carro que avança o sinal velozmente e bate em uma árvore do outro lado da avenida.

Bem feito pensa André, e continua seus passos em direção da garagem, enquanto outros para ver o acidente e os policiais correndo em direção ao carro acidentado. Seu carro estava molhado pela chuva, ele sai tranquilamente com ele, mas pela janela vê a menina de cabelos avermelhados o observando, de alguma forma seu olhar o incomoda.

No trajeto para sua casa na rua dos Oitis na Gávea ele enfrenta um grande engarrafamento. Demora uma hora além do tempo normal para chegar em casa. Ao chegar finalmente em casa encontra seu filho na sala aos beijos no sofá com Haneda, uma moça oriental que estranhamente seu filho a chama pelo sobrenome, vendo a cena ele avança para cozinha tentando não chamar atenção.

_ Sexta-feira... Tomara que não fique com dor de cotovelo por causa do meu próprio filho. - Diz André antes de beber um copo d'agua e que ao terminar vai a direção ao seu quarto.

Espera terminar de ler "O corti¿o" de Aluísio de azevedo, ainda hoje. Isso faz parte de uma decisão que tomou de ler todos os clássicos da literatura brasileira em um ano, pois nuca lera nenhum quando jovem.

Mas como fez faculdade na Alemanha e gostava de aventuras na juventude nunca se importou com literatura decidiu então compensar isso ao completar quarenta anos.

O mundo era mais emocionante e fazia mais sentido quando havia o muro de Berlim, pensa enquanto senta-se na poltrona para enfim ler seu primeiro livro dos clássicos da literatura brasileira, seus tempos de aventura em Berlim oriental com Helga que deu origem a seu filho e a um casamento de sete anos. Helga agora trabalha como funcionária pública em Berlin já unificada. Sua segunda esposa de um casamento de cinco anos mora com sua filha em Belo Horizonte, a menina de vez em quando o telefona. Para dizer como vão as coisas e de Ricardo seu padastro. Causa um certo riso inconsciente: com tantos homens por que logo um chamado Ricardo?

André começa logo a ler o livro antes que comece a ser nostálgico. A chuva se intensifica e o barulho dela vira música de fundo do livro.

Duas horas da manhã André acorda, acabou dormindo na poltrona, sai do quarto e desce para a cozinha comer alguma coisa, ao passar pelo quarto de seu filho ouve um ronco sinal de que as coisa já esfriaram.

Ao chegar na cozinha ele se deparar com uma menina estranha sentada na mesa da cozinha.

_ Como entrou aqui?
_ Eu sou Auia.
_ Não me importa quem seja como entrou na minha casa.
_ Por isso mesmo; eu sou Auia, que parte não entendeu?

André lembra de ter visto esta menina na rua, aparenta ter uns dez anos com pele parda e cabelos longos avermelhados. Mas talvez ela faça parte de um grupo de assaltantes que agora está invadindo sua casa, automaticamente ele vira-se e corre para o telefone. Mas tudo fica escuro e ele tem uma última sensação de que caiu no chão.