A viagem para a terra do Deus das águas mostrou-se rápida, André percebeu que quando Auia usava seus poderes para que ambos pudessem voar formava-se algo parecido com uma bolha de ar em volta deles, quase que imperceptível. Essa proteção permite que Auia alcance altas velocidades sem que a resistência do ar seja um incômodo aos viajantes.
Ao se aproximarem da costa André fica maravilhado com o que vê uma grande cidade de pedra cercada com altos muros. Em seu interior casas com telhados vermelhos e ruas bem arborizadas. Auia desceu um pouco distante da cidade, no meio de um pequeno bosque.
Já no solo Auia olha para André e o analisa por um instante. Depois fala:
- Iremos para a Cidade de Pedra a pé, nada pode revelar quem sou e você passará por meu pai. Eu tenho estudado homens de sangue sei como agir entre eles.
- Não vou questionar.
O caminho para cidade de pedra chamada por Auia de Sideridom é feito por uma estrada de pedra, bem parecido com os restos da via Ápia que André viu na Itália. Havia muita gente a pé indo em direção da cidade. Auia seguia ao lado de André isso lhe dava uma sensação de segurança para André. Pois no caminho havia pessoas muito estranhas, segundo Auia a cidade de Sideridom é a capital das terras a leste Quimundacadum, mas essa informação para André é o mesmo que nada, pois desconhece a atual geografia física e política do planeta.
Diante da grande entrada da cidade de Sideridom André percebe que as coisas mudaram mesmo, a começar pelas letras numa placa de ferro na entrada da cidade, são caracteres nada parecidos com que conhecia de seu tempo. São simbolos diferentes meio desenhos de circulos com pontos e quadrados.
- Devo está muito distante no futuro para que essa escrita pudesse se desenvolver assim... que idioma é este Auia?
- é o idioma que os homens de sangue começaram a falar um dia, não prestei muita atenção para isso, mas é falado por toda esta região.
- Você entende o que eles dizem?
- Sim, tive tempo de aprender quando ficava andando entre esses homens.
_ E o que isso significa?
_ Esta é a cidade de Sideridom daqui o mundo é comandado, daqui o mundo fala e daqui do mundo somos senhores.
_ Humildade não é o forte deles. Quantos moram nesta cidade?
_ Na ultima contagem eles eram duzentos mil, em toda a região de influência de Sideridom deve haver aproximadamente seis milhões de habitantes humanos.
Ciente das capacidades impressionantes de Auia André se sente seguro para explorar as ruas da cidade, há nelas diferentes tipos de pessoas, elas parecem não estranhar a presença de André e Auia, parecem estarem acostumados a receberem estrangeiros.
André vê lojas, templos e passa pelo que parece ser uma biblioteca de grande porte, como ninguém falou nada eles foram entrando.
_ Auia você pode saber se alguns desses livros são de história antiga?
Auia olha ao redor, e vai em direção a uns pergaminhos. Sob olhares atentos de uns senhores vestidos de amarelo. Então ela retira um pergaminho e o leva para André na mesa, na mesa ela o abre.
_ é a mesma escrita do portão, mas com algumas alterações o que diz aí?
_ Este livro pelo que tá escrito na parte de fora do rolo fala da época de destruição.
André olha atrás do pergaminho e realmente tem um "título" que fica visível quando o rolo fica fechado na prateleira.
Então Auia volta a ler o livro para André:
_ Houve um tempo em que os homens eram como deuses, voavam e tocavam as estrelas, havia muitos povos. Então houve a grande cisma entre os homens-deuses do mundo. Houve as guerras entre esses homens-deuses. O grande Deus do mundo então fechou os olhos.
A Terra começou a morrer, dos mares houve grande a morte de tudo que era vivo, e na terra nada mais nascia de se comer, os animais começaram a sumir, e os homens se alimentaram uns dos outros e deixaram de ser deuses, o sangue dos homens transformou-se em veneno como as águas do mundo. Os gênios do grande Deus que ainda viviam na Terra trouxeram os pequenos deuses...
Esses deuses pequenos tirariam o mal das águas, do ar, da terra, das plantas e do homem...
_ Auia, você disse que era a deusa dos ventos certo?
_ Sim, sim eu vim ao mundo para limpa o ar.
_ Você veio de onde?
_ Eu só despertei com os outros em meio ao veneno e sabendo que o mundo deveria ser limpo.
_ Quantos outros?
_ dez para a terra, sete para as águas, quatro para o ar e um para comandar.
_ Então há quatro deusas do vento?
_ Não, eu Auia sou a única deusa dos ventos, dividimos nossos títulos do ar em Deusa das Brisas, Deusa do Gelo e Deusa da Chuva.
_ O que diz mais o livro?
_ Eu nunca tinha pensado em ler isso antes, embora isso fale mais sobre mim, aqui diz ainda; "Os novos deuses chegaram tarde para os homens e seguiram reformando o mundo" e depois o livro pula para a era de Sicoderiam o reformador do mundo, quando os homens começaram a proliferar novamente sobre a Terra.
_ Voc¿ disse que há um para comandar, quem é ele?
_ Modechai Vanunu. - Responde um jovem logo atrás de André.
O jovem aparenta uns 20 anos de estatura média, está sentado agora com André e Auia numa praça no centro de Sideridom, onde André aproveita para comer uma fruta de gosto doce. E pergunta ao Modechai:
_ Então você é quem comanda os deuses? E por que o nome?
_ Sim e ao mesmo tempo não, só uso este nome, me sinto mais próximo de vocês assim.
_ Mais humano?
_ Sim, ser um deus nos deixa um pouco distantes que devemos ser, eu trabalho em silêncio pela paz, não posso me revelar aos outros humanos além de você. Por isso resolvi ser mais adulto, ser um aprendiz entre os homens de sangue.
_ Então você já foi como Auia?
_ Sim.
_ E é o superior dela?
Auia responde secamente:
_ Não.
Modechai diz então sorrindo:
_ Não tenho nenhuma autoridade sobre os vinte e um deuses sobre este mundo, apesar dos escritos dos homens dizerem o contrário. Eu sou apenas o um, talvez um dia quando o grande Deus voltar ele saiba mais sobre mim.
_ Então o que faz aqui?
_ Sou médico, andarilho e estudioso de filosofia e dos humanos, até os ajudo em algumas coisas, já envelheci e tornei-me jovem diversas vezes, é bom para ficar andar entre vocês.
André termina a fruta e pergunta:
_ Por que fui trazido até aqui?
_ Isso não é comigo.
Auia diz:
_ Resolvemos desenvolver um processo.
_ Que processo?
_ Você saberá depois de ver o que precisa ver. - Diz Auia.
Então André volta-se para Modechai:
_ Vocês podem cresce ou ficar mais velhos quando querem?
_ Sim, alguns fizeram isso para andar mais próximos dessa nova humanidade.
André olha ao redor ver as pessoas que andam pelas ruas e indaga:
_ Você é um rapaz branco, de cabelos castanhos e olhos castanhos claros em uma cidade de população predominantemente negra. Como funciona essa interação com os homens daqui?
_ Eu digo que sou estudante de das terras além de Quimundacadum e eles me deixam ficar.
_ Mas você precisaria de dinheiro...
_ Estenda sua mão com a palma para cima.
André obedece a Modechai e estende a sua mão, então Modechai coloca a palma de sua mão sobre a de André e logo a retira, para a surpresa de André ele vê em sua mão uma moeda lisa de ouro.
E Modechai fala:
_ O ouro ainda tem valor por aqui
_ Você materializa ouro?!
_ Sim, descobri a muitas eras que era capaz disso e muitas outras coisas, e logo quando os homens começaram a andar de novo sobre o mundo pude usar essas habilidades para me aproximar deles. Conheci muitos homens fantásticos, até estive em batalhas ao lado de Sicoderiam. No tempo desta humanidade de duas mil voltas ao Sol.
_ Pelo menos você entende o conceito de tempo.
_ Na verdade o tempo só é medido quando há humanidade sobre a Terra.
_ Tem razão.
Auia se levanta olha para André:
_ Temos que ir.
Então Modechai e André se levantam, fascinado com Modechai oferece a mão para comprimento que é respondido.
_ Essa formalidade nunca fiz antes, é incomum com essa humanidade. Para sua surpresa André ver mais uma moeda de ouro em sua mão e Modechai sorri e vira-se para se juntar os andantes numa avenida que se perde num horizonte de prédios e pessoas. E André segue Auia para fora da cidade.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
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